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Coletor menstrual de silicone sobre toalha branca

Coletor Menstrual: Como Usar Passo a Passo, Tamanho, Limpeza e Segurança

Para usar o coletor menstrual: lave as mãos, dobre o coletor em C, insira com o corpo relaxado e solte para ele abrir, girando a base para conferir. Esvazie a cada 8 a 12 horas, apertando a base para quebrar o vácuo antes de puxar. Lave com água e sabonete neutro durante o ciclo e ferva por 3 a 5 minutos entre um ciclo e outro. Prefira produto regularizado na Anvisa.

Jamile Lima Fernandes
Jamile Lima Fernandes
Atualizado em 8 min de leitura

O coletor menstrual é um copinho de silicone que fica dentro da vagina e coleta o sangue em vez de absorver. Dura anos, custa uma fração do que se gasta com absorventes e, para a maioria das mulheres, funciona tão bem quanto eles. O que assusta é a primeira vez. Este guia mostra o passo a passo de inserção e retirada, como escolher o tamanho, os cuidados de limpeza e o que a ciência e a Anvisa dizem sobre segurança.

Resposta rápida

  • Escolha o tamanho pela altura do colo do útero e pelo fluxo, não só pela idade.
  • Antes de usar pela primeira vez, ferva o coletor por 3 a 5 minutos.
  • Para inserir: mãos lavadas, dobra em C, corpo relaxado, coletor inclinado em direção ao cóccix, solte para abrir e gire a base.
  • Esvazie a cada 8 a 12 horas, apertando a base para quebrar o vácuo antes de puxar.
  • Durante o ciclo, lave com água e sabonete neutro sem perfume. Entre ciclos, ferva de novo.
  • Converse com a ginecologista antes se usa DIU, teve parto recente, tem vaginismo ou histórico de síndrome do choque tóxico.
Dobra em C do coletor menstrual
A dobra em C é a mais fácil para começar: o coletor fica com metade da largura.

O que é e como funciona

O NHS, o serviço de saúde do Reino Unido, descreve o coletor como um produto de silicone que coleta o sangue em vez de absorvê-lo, reutilizável, entre as opções de absorvente, tampão e calcinha absorvente. Depois de inserido, ele abre e forma um leve vácuo contra as paredes da vagina, o que impede o vazamento. Não há contato do sangue com o ar, o que evita o cheiro, e não há fibras absorventes, o que evita o ressecamento.

Uma revisão sistemática publicada na Lancet Public Health30111-2/fulltext) em 2019 reuniu 43 estudos com 3.319 participantes. Nos estudos que compararam, o vazamento com o coletor foi semelhante ou menor do que com absorventes e tampões, e cerca de 73% das participantes que aprenderam a usar queriam continuar. A revisão também estimou o impacto no bolso e no lixo: em dez anos, o custo do coletor fica em torno de 5% do gasto com absorventes, com uma fração mínima dos resíduos.

Como escolher o tamanho

Os fabricantes costumam oferecer dois ou três tamanhos, e a regra "pequeno para quem não teve filhos, grande para quem teve" é só o começo. Três fatores pesam mais:

  • Altura do colo do útero. Com o dedo limpo, no meio do ciclo, sinta o colo (a parte firme, parecida com a ponta do nariz). Se alcança com a primeira falange, o colo é baixo e pede coletor curto; se precisa do dedo inteiro, o colo é alto e aceita coletor longo.

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  • Fluxo. Fluxo intenso pede mais capacidade (os coletores maiores guardam de 25 a 30 ml, o equivalente a dois ou três absorventes cheios).
  • Firmeza do silicone. Coletores mais firmes abrem com mais facilidade e vedam melhor em quem faz atividade física; os mais macios são mais confortáveis para quem tem sensibilidade.

Na dúvida, comece pelo tamanho menor da marca escolhida: é mais fácil corrigir um coletor pequeno que vaza do que insistir em um grande que incomoda.

Como colocar: passo a passo

  • 1. Lave as mãos com água e sabonete.
  • 2. Dobre o coletor em C: achate o copinho e dobre ao meio, formando um C ou um U. Há outras dobras (punch down, 7), mas a C é a mais simples para começar.
  • 3. Relaxe. Sentada no vaso, agachada ou com um pé apoiado, com a musculatura solta. Na primeira vez, um pouco de lubrificante à base de água na borda ajuda.
  • 4. Insira com o coletor inclinado para trás, em direção ao cóccix, e não para cima. A vagina tem essa inclinação.
  • 5. Solte a dobra dentro do corpo. Você deve sentir ou ouvir o coletor abrir.
  • 6. Gire a base do coletor 360 graus ou passe o dedo em volta para conferir que abriu por completo. Se estiver dobrado, empurre a parede com o dedo para liberar.
  • 7. Se a haste incomodar, corte um pedaço com uma tesoura limpa, fora do corpo. Ela não serve para puxar.

Bem colocado, o coletor não é sentido. Se dói ou pressiona a bexiga, está baixo demais ou é firme demais para você.

Quanto tempo pode ficar e como tirar

A regra geral dos fabricantes é esvaziar a cada 8 a 12 horas, e antes disso em dias de fluxo intenso. A rotulagem no Brasil precisa informar a frequência de remoção, por exigência da Anvisa. Nunca passe de 12 horas.

Para tirar: lave as mãos, relaxe, aperte a base do coletor (não a haste) para quebrar o vácuo, e puxe devagar, com leve movimento de zigue-zague, mantendo o copinho na vertical para não derramar. Esvazie no vaso, lave ou limpe com papel e recoloque. Puxar pela haste sem quebrar o vácuo é o que causa dor e sensação de "puxão".

Coletor menstrual fervendo em panela para esterilizar
Entre um ciclo e outro, 3 a 5 minutos de fervura em panela separada.

Limpeza e esterilização

  • Antes do primeiro uso e entre ciclos: ferva o coletor por 3 a 5 minutos em uma panela reservada só para isso, com água suficiente para ele não encostar no fundo. Deixe secar ao ar e guarde no saquinho de tecido que acompanha o produto, nunca em pote fechado.
  • Durante o ciclo: lave com água e sabonete neutro, sem perfume, a cada esvaziamento. Em banheiro público, esvazie, limpe com papel higiênico ou com um pouco de água de garrafa e recoloque; lave na próxima oportunidade.
  • Furos de ar: mantenha os pequenos furos da borda desobstruídos; são eles que permitem o vácuo. Use uma escova macia se entupirem.
  • Nunca use álcool, água sanitária, vinagre puro ou sabonete perfumado, que danificam o silicone e irritam a mucosa.
  • Troca: com cuidado, um coletor dura de 5 a 10 anos. Troque se aparecerem rachaduras, textura pegajosa ou cheiro que não sai.

Segurança: síndrome do choque tóxico e outros riscos

A síndrome do choque tóxico é uma infecção rara e grave associada ao uso prolongado de tampões e, em casos muito raros, de coletores. A revisão da Lancet identificou cinco casos relatados com o coletor na literatura, o que a torna um evento raro, mas não impossível. É por isso que a Anvisa exige que o rótulo do coletor traga instruções sobre a síndrome e sobre a frequência de remoção. As regras práticas: nunca passe de 12 horas, lave as mãos antes de mexer no coletor, ferva entre ciclos e, se tiver febre alta súbita, vômito, diarreia, manchas na pele parecidas com queimadura de sol ou tontura durante a menstruação, retire o coletor e procure atendimento na hora.

Outras situações que pedem conversa com a ginecologista antes de usar: DIU (o vácuo mal quebrado na retirada pode deslocar o fio ou o dispositivo; veja o guia do DIU de cobre), pós-parto e pós-aborto recentes, vaginismo ou dor na penetração, prolapso e histórico de síndrome do choque tóxico. Infecções urinárias de repetição também merecem avaliação.

O que a Anvisa exige do produto

Desde 2017, com a RDC 142, a Anvisa regula os coletores menstruais como produto de higiene pessoal, com exigências de material atóxico, sem fragrância ou inibidor de odor, controle microbiológico e rotulagem com instruções sobre a síndrome do choque tóxico, a frequência de remoção e a indicação de tamanho por fluxo. A agência já mandou recolher um modelo vendido sem regularização: em janeiro de 2024, determinou a proibição e o recolhimento de uma linha econômica de coletores de uma marca conhecida, comercializada sem a regularização exigida, como noticiou o Correio Braziliense. Antes de comprar, confira se a embalagem traz o nome do fabricante ou importador, o lote, a validade e a referência à regularização na Anvisa, e desconfie de coletor sem marca vendido por preço muito baixo em marketplace.

Coletor, absorvente, tampão ou calcinha absorvente?

Não existe opção certa para todas. O coletor ganha em custo, lixo, capacidade e conforto para atividade física; perde na curva de aprendizado e na praticidade em banheiro público. A calcinha absorvente é a mais simples e combina bem com o coletor nos dias de fluxo intenso. O tampão é prático, mas tem a mesma regra de tempo máximo. O absorvente externo continua sendo a opção de entrada e a melhor no pós-parto. Muita gente usa dois, conforme o dia. O que não muda é o básico: trocar no tempo certo, mãos limpas e produto regularizado. Se a cólica é o problema do seu ciclo, o guia de cólica menstrual tem o que alivia de verdade, e o de ciclo menstrual irregular explica quando o fluxo foge do padrão.

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Ainda em dúvida

Perguntas frequentes

01Como colocar o coletor menstrual pela primeira vez?
Ferva o coletor por 3 a 5 minutos, lave as mãos, dobre em C, relaxe a musculatura, insira inclinando para trás em direção ao cóccix, solte para abrir e gire a base para conferir. Um pouco de lubrificante à base de água na borda ajuda na primeira vez.
02Quanto tempo o coletor menstrual pode ficar no corpo?
De 8 a 12 horas, e menos em dias de fluxo intenso. Nunca passe de 12 horas, por causa do risco raro de síndrome do choque tóxico. A Anvisa exige que o rótulo informe a frequência de remoção.
03Como tirar o coletor sem dor?
Aperte a base do coletor (não a haste) para quebrar o vácuo, e puxe devagar, em zigue-zague, com o copinho na vertical. Puxar pela haste com o vácuo formado é o que causa dor.
04Como limpar e esterilizar o coletor?
Durante o ciclo, água e sabonete neutro sem perfume a cada esvaziamento. Entre ciclos, fervura por 3 a 5 minutos em panela reservada, secagem ao ar e guarda no saquinho de tecido. Nada de álcool, água sanitária ou sabonete perfumado.
05Coletor menstrual vaza?
Bem colocado e no tamanho certo, vaza tão pouco quanto absorventes e tampões, segundo a revisão de 43 estudos publicada na Lancet Public Health em 2019. Vazamento costuma indicar coletor dobrado, tamanho errado ou tempo demais sem esvaziar.
06Quem não deve usar coletor menstrual?
Quem tem histórico de síndrome do choque tóxico deve evitar. Quem usa DIU, teve parto ou aborto recente, tem vaginismo, dor na penetração ou prolapso deve conversar com a ginecologista antes.

Fontes

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Jamile Lima Fernandes

Escrito por

Jamile Lima Fernandes

Jamile Lima Fernandes é empreendedora e criadora do Mulheres do Poder, blog que edita desde 2019, em São Paulo. Em sete anos, transformou o projeto em uma biblioteca com mais de 80 guias sobre beleza, saúde da mulher, relacionamentos e cursos profissionalizantes na área da estética. Testa produtos e compara cursos antes de indicar qualquer coisa, e sinaliza quando um link é de afiliado. Acredita que o poder de uma mulher está no caráter e nas escolhas, não na aparência, e que informação clara é o primeiro passo para cuidar de si, empreender e ganhar o próprio dinheiro. Escreve para ajudar outras mulheres a chegar lá.

Empreendedorismo Feminino e Beleza

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