
Reposição Hormonal Feminina: Tipos, Remédios, Preço e Riscos
Reposição hormonal é o uso de estrogênio, com ou sem progestagênio, para tratar sintomas da menopausa como fogachos e secura vaginal. É o tratamento mais eficaz para esses sintomas e, segundo a The Menopause Society, tem saldo favorável para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos de menopausa, sem contraindicação. A escolha do tipo é feita na consulta.
Por duas décadas, a reposição hormonal carregou fama de perigosa. Em 10 de novembro de 2025, a FDA, agência dos Estados Unidos que regula remédios, anunciou o início da retirada do alerta de tarja preta das bulas desses tratamentos. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Febrasgo responderam em nota conjunta: quando bem indicada, a terapia hormonal é segura e eficaz.
Este guia explica o que é, quem pode fazer, os tipos, os nomes dos remédios vendidos no Brasil com o preço máximo oficial e os riscos. E traz dois levantamentos próprios: a lista de preços da CMED, que mostra por que o adesivo sumiu das farmácias, e o preço da consulta em 12 capitais.
O que é reposição hormonal
Reposição hormonal, ou terapia hormonal da menopausa, é o uso de estrogênio, o hormônio que cai na menopausa, para tratar os sintomas dessa fase. Segundo a posição de 2022 da The Menopause Society, a principal entidade do tema nos Estados Unidos, é o tratamento mais eficaz para os fogachos e para a síndrome geniturinária, a secura e o ardor vaginal, e também previne a perda de osso e as fraturas.

Um ponto que muda tudo: quem tem útero precisa de um progestagênio junto com o estrogênio. Segundo a diretriz do NICE, órgão que orienta o sistema de saúde britânico, o estrogênio sozinho aumenta o risco de câncer de endométrio em quem tem útero. A Febrasgo descreve o progestagênio justamente como a proteção do endométrio. Quem tirou o útero pode usar só estrogênio.
Quem pode fazer reposição hormonal
A The Menopause Society resume assim: para mulheres com menos de 60 anos ou com até 10 anos de menopausa, sem contraindicações, o saldo entre benefício e risco é favorável para tratar fogachos que incomodam e prevenir perda óssea. Para quem começa depois dos 60, ou mais de 10 anos após a menopausa, o saldo fica menos favorável, por causa de riscos maiores de doença do coração, AVC, trombose e demência.
A nota da SBEM e da Febrasgo vai na mesma linha: o benefício aparece em mulheres com sintomas, sem contraindicações, que começam o tratamento na perimenopausa ou nos primeiros anos depois da menopausa. O tratamento deve ser individualizado e acompanhado. Se você ainda está na transição, o guia de perimenopausa explica os sinais, e o de menopausa cobre a fase seguinte.
Tipos de reposição hormonal

A reposição varia em duas coisas: o que você usa e por onde o hormônio entra.
- Só estrogênio: para quem não tem útero
- Estrogênio com progestagênio: para quem tem útero, em comprimido único ou em dois remédios separados
- Tibolona: hormônio sintético que aparece em classe própria na lista oficial
- Estrogênio vaginal: creme ou comprimido vaginal, de ação local, para secura, ardor e dor na relação
A via também importa. A diretriz do NICE diz que o risco de trombose aumenta com a reposição em comprimido e não aumenta com a via pela pele, como gel e spray, e recomenda considerar a via pela pele para quem já tem risco maior de trombose, incluindo quem tem IMC acima de 30. A The Menopause Society lembra que os riscos variam com o tipo, a dose, o tempo de uso, a via, a idade em que se começa e o uso de progestagênio.

Remédios de reposição hormonal vendidos no Brasil
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Para responder "quais são os remédios", fomos à fonte oficial: a lista de preços da CMED, o órgão que regula o preço de medicamento no Brasil, publicada pela Anvisa em 9 de setembro de 2026. Selecionamos os hormônios da menopausa, tiramos anticoncepcionais e remédios de fertilidade, e ficamos só com o que o fabricante declarou ter vendido em 2025. O preço é o máximo que a farmácia pode cobrar, com o ICMS de 18% de São Paulo; na prática, pode sair mais barato.

- Estrogênio em comprimido: Natifa, Primogyna e Menoprin. Caixa com 28 de R$ 53,96 a R$ 118,68.
- Estrogênio em gel ou spray: Oestrogel, Sandrena e o spray Lenzetto, de R$ 52,92 a R$ 96,67.
- Estrogênio com progestagênio em comprimido: Suprema, Natifa Pro, Femoston, Angeliq, Ceci e o genérico de estradiol com drospirenona. Caixa com 28 de R$ 51,40 a R$ 146,65.
- Tibolona: Livial, Libiam, Tibial, Tiboclin, Clindella e genéricos. Caixa com 28 ou 30 de R$ 71,35 a R$ 128,33.
- Progesterona micronizada: Utrogestan, Gynpro e Junno, todas a R$ 89,14 na caixa de 100 mg com 30.
- Estrogênio vaginal: Vagifem, cremes de estriol (Ovestrion, Stele, Estrionil e genérico) e de promestrieno (Antrofi, Coltrieno, Promim e genérico), de R$ 48,40 a R$ 161,44.
Preço não é recomendação. Não existe um "melhor remédio" para reposição hormonal: a escolha depende de ter ou não útero, dos sintomas, do risco de trombose e de câncer e da via que faz mais sentido para você.
Por que o adesivo sumiu das farmácias
Quem procura "adesivo de reposição hormonal" costuma não achar. A lista da CMED explica: os cinco adesivos de estradiol que têm preço registrado (Estradot, Systen, Estalis, Systen Conti e Systen Sequi) aparecem sem comercialização pelo fabricante em 2025. O preço máximo continua publicado, de R$ 135,15 a R$ 212,88 a caixa com 8, mas o produto não foi vendido no ano. Hoje, as opções pela pele que estão sendo comercializadas são o gel e o spray.
Promestrieno, Vagifem, Antrofi, Libiam e Ceci: é reposição hormonal?
Essas perguntas estão entre as mais buscadas, e a lista oficial responde pelo que tem dentro de cada caixa:
- Promestrieno (Colpotrofine, Antrofi, Coltrieno, Promim e genérico): estrogênio de uso vaginal. É terapia hormonal local, para os sintomas vaginais, e não substitui a reposição para fogachos.
- Vagifem: estradiol em comprimido vaginal. Também é tratamento local.
- Antrofi: é promestrieno em creme vaginal, a mesma lógica do item acima.
- Libiam: é tibolona, usada na reposição hormonal, em 1,25 mg e 2,5 mg.
- Ceci: é estradiol com drospirenona, reposição combinada, com a mesma composição do Angeliq.
Para quem já teve câncer de mama, o NICE recomenda começar a tratar a secura vaginal com hidratantes ou lubrificantes sem hormônio, e considerar o estrogênio vaginal só se isso não resolver. Para quem ainda usa inibidor de aromatase, a decisão deve ser tomada junto com o especialista em câncer de mama.
Hormônios bioidênticos: o que são
"Bioidêntico" quer dizer hormônio com a mesma estrutura do que o corpo produz. Segundo a Febrasgo, o termo vem sendo usado de forma indevida: estradiol e progesterona micronizada, que são bioidênticos, já existem em remédios da indústria, testados e aprovados, como vários da lista acima. O problema está nas fórmulas manipuladas, que podem variar de composição e têm poucos estudos de segurança.
A nota da SBEM e da Febrasgo também deixa de fora do aval os implantes hormonais manipulados, que não têm comprovação de segurança ou eficácia. É a mesma discussão do chip da beleza.
Quanto custa a reposição hormonal
O custo tem duas partes: a consulta e o remédio.
A consulta. Lemos a listagem do serviço "Reposição hormonal feminina" no Doctoralia em 12 capitais, em 28 de setembro de 2026, até 10 páginas por cidade (São Paulo e Rio chegaram a esse limite). Foram 1.195 profissionais, dos quais 259 publicam o preço, ou 22%. A mediana é de R$ 450, e a metade do meio do mercado fica entre R$ 370 e R$ 550. Em Belém, nenhum perfil estava listado.

Um contraste chamou atenção. Aqui, 65% dos perfis são de ginecologistas e 28% de endocrinologistas: mais de nove em cada dez. No levantamento de "tratamento para menopausa" que fizemos para o guia de perimenopausa, os ginecologistas eram só 38%, com clínicos gerais e nutrólogos no meio. A palavra que você digita muda quem aparece.
O remédio. Pela lista da CMED, a caixa de um mês fica, no preço máximo, entre cerca de R$ 50 e R$ 150, conforme o tipo.
No SUS, a consulta é gratuita e começa na Unidade Básica de Saúde. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename 2024) inclui, no componente básico, estrogênios conjugados em comprimido e em creme vaginal e acetato de medroxiprogesterona em comprimido. A oferta efetiva depende da lista de cada município.
Reposição hormonal causa câncer? Os riscos

Os riscos existem e dependem de quem usa, do que usa e de quando começa:
- Câncer de endométrio: aumenta com estrogênio sozinho em quem tem útero, e é por isso que o progestagênio entra junto (NICE).
- Trombose: aumenta com a via oral, não com a via pela pele (NICE).
- Idade de início: depois dos 60 anos, ou mais de 10 anos após a menopausa, crescem os riscos de doença do coração, AVC, trombose e demência (The Menopause Society).
A retirada do alerta de tarja preta pela FDA não é liberação geral. O próprio órgão lembrou que o estudo que motivou o alerta, o WHI, publicado em 2002, tinha mulheres com idade média de 63 anos, mais de uma década depois da idade média da menopausa. E a nota da SBEM e da Febrasgo reforça que o aval vale para terapias aprovadas e estudadas, com indicação e acompanhamento médico.
Quando procurar o médico
Procure atendimento se os fogachos, o sono, o humor ou a secura vaginal estão atrapalhando a sua vida, ou se você quer saber se pode fazer reposição. Leve o seu histórico de saúde e o da família, a lista de remédios que usa e as suas dúvidas. A decisão de fazer, e de como fazer, é compartilhada entre você e quem te atende.
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“Quando bem indicada, a terapia hormonal é segura e eficaz.”
Ainda em dúvida
Perguntas frequentes
01O que é reposição hormonal feminina?
02Quem pode fazer reposição hormonal?
03Qual o melhor remédio para reposição hormonal na menopausa?
04Promestrieno é reposição hormonal?
05Vagifem é reposição hormonal?
06Quanto custa a reposição hormonal?
07Reposição hormonal causa câncer?
08Por que não acho adesivo de reposição hormonal na farmácia?
09Qual médico faz reposição hormonal?
Fontes
- Levantamento próprio: lista de preços da CMED/Anvisa publicada em 09/09/2026 (PMC, ICMS 18%) →
- Levantamento próprio: reposição hormonal feminina no Doctoralia, 12 capitais, 28/09/2026 →
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022 →
- NICE NG23: Menopause, identification and management, recomendações →
- SBEM e Febrasgo: nota conjunta à população sobre terapia hormonal →
- Febrasgo: hormônios bioidênticos na menopausa, o que há de verdade →
- FDA/HHS: retirada dos alertas de tarja preta da terapia hormonal (10/11/2025) →
- Ministério da Saúde: Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) →

Escrito por
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